Da primeira vez que a vi, única que estive ao pé
dela, um vento malévolo rasgava as rochas. À beira da estrada nacional uma
placa castanha indicava-a: de tantas vezes ignorar o seu apelo decidi
aceitá-lo. A subida da encosta por um trilho de pedras ladeava uma sucata. O
limiar da aldeia, triste como o abandono, era um convite ao insondável. O vento
doía-me na pele à medida que subia, o frio gelando o suor dos passos. Plantas
rasteiras para lá do estreito trilho de pedras, duras como as próprias pedras;
pesando sobre mim, a ameaça de um céu pesado, obscuro como a cúpula vazia de
uma catedral. E então vi-a. Discreta elevação tumular, calhaus soltos, ventre
telúrico, estranho mistério. Rodeando-a, apenas o tempo, eterno como as
montanhas.
Passo
muitas vezes na autoestrada que a contorna. Procuro, com o olhar, discernir um
ponto longínquo, um lugar para lá da velocidade circunstancial da minha
existência. Procuro-lhe o perfil, um seio destacado do contorno ígneo do
crepúsculo, envolto no afago agreste do vento. Ela lá está, por detrás da
estação de serviço, sinalizando a porta que se abre para o outro lado do tempo.
É
muito difícil captar num simples artigo toda a riqueza simbólica presente neste
filme documental. De facto, quase todas as sequências motivariam, assim se
quisesse, um ensaio. Tudo parte, no entanto, de uma obra artística: uma gruta
no sul de França cujas paredes se encontram cobertas de pinturas do
paleolítico, as mais antigas de que há conhecimento. O filme, com efeito,
reinterpreta essa obra numa lógica intertextual, fazendo a ponte entre os
primórdios da figuração e a arte cinematográfica. Parece descabido? Não é, de
todo. A arte é fundamentalmente una, e se podemos descortinar traços de um
proto-cinema na Caverna dos Sonhos Esquecidos (a Gruta de Chauvet, no sul
calcário de França), também podemos gracejar a propósito da prevalência dos
padrões de beleza femininos das vénus paleolíticas nas séries americanas atuais
ou tocar o Star-Sprangled Banner numa flauta de osso pré-histórica.
A cor e o traço das
gravuras surpreendem de imediato. Estamos habituados a pensar neste tipo de
arte como uns “risquitos” (efeito Vale do Coa, certamente), mas aquilo
aproxima-se bem mais de uma Capela Sistina pré-histórica, uma espécie de catedral
das cavernas. O facto de a obra documentada ser de uma beleza efectivamente
desarmante não deve eclipsar o feito do realizador do filme. Num contexto de
extremas limitações técnicas, Herzog faz um filme incrivelmente belo, um
verdadeiro retoque artístico feito nas pinturas de há dezenas de milhar de anos
atrás. Não se podendo visitar a gruta, o filme fica, para o público em geral,
não como o retrato possível, mas sim como uma aula verdadeiramente magistral
sobre o sítio: Herzog revela-se, com efeito, um intérprete à altura do local
patrimonial, guiando-nos, à medida que ele mesmo se faz guiar, pelo estonteante
labirinto da gruta. O 3D, esse, revelou finalmente para que serve. A
tridimensionalidade das pinturas, que jogam com as irregularidades das paredes
da gruta, o brilho onírico das estalagmites e a voluptuosidade dos rendilhados
calcários que tecem o ambiente mágico da gruta, o subtil jogo de chiaroscuro reflectindo-se nas paredes e
nos rostos dos homens que perturbam o silêncio do local, tudo isso ganha uma
densidade notável, pontuando assertivamente o argumento artístico de Herzog: a
sala de cinema enquanto extensão da própria gruta, o filme como leitura
criativa da realidade.
Mas
vamos por partes (pois, como disse, há tanto a dizer sobre o filme que o melhor
mesmo é ir vê-lo). A entrada inicial na gruta sugere um tema clássico, o da
descida (o Hades, os poços, Viagem ao
Centro da Terra, o subconsciente, etc). A escuridão da gruta oculta os
sonhos, sonhos esses que, desde que Freud ensaiou a sua interpretação, sabemos
serem o único caminho para os recantos mais profundos da psique. A gruta é, ela
mesma, um percurso iniciático que é preciso percorrer ao contrário, retrospectivamente,
porque a entrada principal ruiu (tanto real como metaforicamente). Os
cientistas estudam o local, estudam o labirinto dos passos individuais na
gruta, descodificam pegadas, ossos e mãos, mas o mistério inelutável de nós
mesmos e da nossa perene humanidade só se dá a conhecer a quem sabe ouvi-lo. Há
uma sequência admirável, em que alguém convida os presentes a escutarem o
silêncio da gruta e a câmara oscila, poeticamente, entre as cores quentes e o
traço puro das pinturas e os rostos quietos dos espeleólogos: homens e mulheres,
com pálidas luzes nos capacetes, a humanidade frente ao espelho mágico da arte.
As pinturas representam animais*, em todas as mitologias os símbolos operativos
das características fundamentais do ser humano: leões, ursos, hienas,
rinocerontes e também outros entretanto perdidos na bruma do tempo, como o
grande veado irlandês, o mamute ou o auroque. Deuses selvagens, sim, que mais
tarde seriam humanizados e mesmo historicisados, mas ali, artisticamente
convocados em concílio, constituem um panteão do concreto, um mito tangível,
uma religião cujos sacramentos eram consubstanciais com a vida.
E depois, há os
cavalos, alinhados como santos numa catedral gótica, mas infinitamente mais
ancestrais, mais profundos, mais significativos e incomensuravelmente mais
místicos, suspensos no tempo e no espaço, criados num perdido gesto
encantatório: a criação do espírito, da eterna e indizível interrogação que anima
o Homo Sapiens (que nome tão mal dado a uma criatura que sabe tão pouco, como
dizia um arqueólogo…). Os cavalos daquela gruta são uma linguagem sem palavras,
o arquétipo da construção simbólica. Algo difícil de referir, que deixo, como
tal, a quem sabe: Ted Hughes, The Horses,
poema aqui traduzido por mim, com um forte convite, a quem souber inglês, à
leitura do original.
Subi através dos bosques no escuro da
hora-antes-da-alva.
Ar malévolo, um silêncio de fazer geada,
Nenhuma folha, nenhum pássaro –
Um mundo moldado em geada. Saí, sobre o bosque
Onde o meu fôlego deixou tortuosas estátuas na luz
de ferro.
Mas os vales escoavam a escuridão
Até à linha dos montes – borras enegrecidas do
cinzento clareado –
Rasgando, adiante, o céu em dois. E vi os cavalos:
Enormes no cinzento denso – dez ao todo –
Imóveis megálitos. Respiravam, não se movendo,
Com crinas pendentes e cascos traseiros
inclinados,
Não fazendo um ruído.
Passei: nem um resfolegou, ou cabeceou.
Fragmentos cinzentos e silenciosos
De um mundo cinzento e silencioso.
Ouvi, vazio, no cume dos montes.
A lágrima da garça virou a sua face ao silêncio.
Lentamente, o detalhe folheado na escuridão.
Depois o sol
Laranja, vermelho, vermelho entrando em erupção
Silenciosamente, e rasgando até ao cerne e
espalhando as nuvens,
Fendeu o estreito, mostrou o azul,
E os grandes planetas pendentes –
Virei-me
Tropeçando na febre de um sonho, descendo,
Para os bosques, dos cumes tremeluzentes,
Até aos cavalos.
Ali estavam eles ainda,
Mas agora vaporando e reluzindo sob a corrente da
luz,
As suas crinas de pedra pendentes, os seus cascos
traseiros inclinados
Mexendo, derretendo, enquanto à sua volta
A geada mostrava as suas chamas. Mas eles ainda
não faziam um som
Nem um resfolegava ou patejava
As suas cabeças curvadas pacientes como os
horizontes
Sobrepondo-se aos vales, nos raios vermelhos que
alisam o chão –
No bulício das ruas atulhadas, indo pelos anos,
pelos rostos,
Possa eu ainda encontrar a minha memória em tão
solitário lugar
Entre os regatos e as nuvens vermelhas, ouvindo as
garças,
Ouvindo os horizontes durar.
* A quase exclusividade dos animais nas pinturas (de facto,
também havia símbolos abstractos, mãos em negativo, e mesmo uma representação
parcial de uma mulher) parece ter surpreendido a audiência. Escutei, a dada
altura, uma pergunta que também encontrei no IMDB: porque é que eles só desenhavam animais? Esta interrogação ilustra
bem a insensibilidade espiritual e natural (há verdadeira espiritualidade sem
natureza?) da contemporaneidade… Afinal, tão civilizados que somos, acabámos
por nos habituar a venerar carros, prédios, lojas, contas bancárias e
celebridades, ao mesmo tempo que metíamos os poucos animais que ainda
tolerávamos no jardim zoológico. Em termos de deuses ficamos, parece-me, muito pior na fotografia do que os
nossos antepassados…
Paris, Montmartre ao fim
da tarde, a noite cai gélida, colando às janelas vagos desejos que os turistas procuram
em vão guardar nas suas máquinas fotográficas digitais. A colina, encimada pela
massa irreal da Sacré-Coeur, oferece-nos a vista da cidade que se espraia em
luzes, lisa como a superfície de um lago quieto: torres de igrejas, flechas de
catedrais, a torre Eiffel rasgando sonhos no céu de pastel.
Revisito
mentalmente Montmartre pela voz de Aznavour. A canção fala-nos da arte, da
criação e da sua inebriante alegria, dos idealismos da juventude e seus vãos
sonhos de glória, e duma coisa mais vaga e indefinida que tudo permeia, vaga
como o ar e fugaz como o tempo: l’ air du
temps, o ar do tempo, algo a que os alemães (tão metafísicos que eles são)
chamam Zeitgeist, espírito do tempo.
O tempo é o verdadeiro tema da canção. Mas trata-se de um tempo especial, com
delimitadores bem marcados, um tempo transmutado em lugar, ou um lugar
conjugado no imperfeito: boémia, Montmartre.
Montmartre,
com efeito, é um passado suspenso, resquício inventado de outro tempo, sonho
ingénuo de turistas pós-modernos, pequeno delírio crepuscular da cultura,
cemitério kitsch da arte. Montmartre escreve-se no imperfeito, com a textura
rendilhada das suas ruas oferecendo-nos o prazer inconsequente dos versos
escritos pelos poêtes maudits e as
pedras da calçada as linhas limpas das telas modernistas. Paris, vista de
Montmartre é ela própria uma passante grácil e etérea, pequeno mundo
caleidoscópico, flâneuse de si mesma.
Os turistas, de máquina digital em punho, dão apenas a sequência possível à
história: passantes par excellence fazem,
de olhos no guia, um relaxado luto por uma civilização perdida, uma certa ideia
de Europa, se quisermos.
A
canção lamenta o tempo que passa, recusa a Montmartre atual, acha-a triste e
desleixada porque deixou morrer os amores-perfeitos. A poesia, de facto, só
reconhece perfeição aos amores pretéritos, um pouco como os casais que amam um
no outro as recordações da paixão que os une. Há, afinal, outra forma de amar? Não,
todo o amor é uma forma de narcisismo, ainda que partilhado. Como o amor
narcisista de Montmartre por si mesma, artística e, ainda que preteritamente miserável,
perenemente bela, orgulhosamente alçada acima das agitadas ruas parisienses.
Numa
“anatomia da memória, política e lugar” da nova Berlim K. E. Till escreve sobre
“fantasmas” e lugares de memória que são “criados (…) para dar formas a
ausências sentidas, medos e desejos que assombram a sociedade contemporânea e
através dos quais sonhos contemporâneos de futuros nacionais são imaginados”.
Este trecho, citado noutro livro, trouxe-me à memória impressões de uma viagem
à capital alemã que fiz há uns anos. De facto, Berlim é uma cidade que ilustra
bem a relação da sociedade europeia com os seus passados, entre a destruição e
a obsessão, entre a fuga e a atração. E, no entanto, o passado está sempre, em
Berlim, oculto por uma camada difusa de modernidade e pós-modernidade confusa e, por vezes, desconcertante. A memória, em Berlim, é sempre uma memória
relutante, por vezes mais empenhada em esquecer do que em evocar o passado.
Seria demasiado fácil ceder à tentação de explicar esta disposição à luz da
peculiaridade da experiência histórica alemã, mas a impressão que sobra de uma
visita à cidade é de que se trata de algo mais profundo. Talvez a inclinação para
a transitoriedade dos passados que se sobrepõem uns aos outros assim se destruindo mutuamente tenha uma origem quase geológica, evocando um nome depreciativo pelo qual a
Prússia era conhecida há uns séculos atrás: a caixa de areia da Europa. Para
lá, portanto, da composição dos terrenos em que assenta, a cidade dá
ocasionalmente a impressão de ser um deserto, ou uma praia, em que os presentes
escritos na areia desaparecem antes de se tornarem passado. Ou, como disse Karl Scheffler a esse propósito, “Berlin ist eine Stadt, verdammt dazu, ewig zu werden, niemals zu sein” (Berlim é uma cidade condenada sempre a tornar-se, nunca a ser).
A
impressão, no entanto, que um circuito das atrações individuais dá, parece ser
a contrária. A Gedächtniskirche (igreja da memória) é um memento da destruição
da guerra, com a sua mole arruinada lançando uma sombra sobre as animadas ruas
comerciais do Kurfurstendam. A demolição do Palast der Republik, antigo
parlamento da R.D.A., pode à primeira vista parecer um atentado à memória
histórica da cidade, mas a destruição desse passado é feita em nome da
recuperação de um passado ainda mais antigo, nomeadamente para proceder à
reconstrução do Stadtschloss, o palácio real dos Hohenzollern destruído durante
a 2.ª Guerra Mundial.
Demolição do Palast der Republik, com a Dom (Catedral) ao fundo
Suponho que os planeadores do mix de memória de Berlim
terão achado que a Fernsehturm, construída pelos comunistas em Berlim oriental
(que ironicamente reflete uma cruz quando o sol incide nela) e o próprio muro
já representam suficientemente esse período da história. E depois há, claro, a
representação kitsch da memória, mercadorizada para turista comprar, como os
pedacinhos de muro, os soldados soviéticos ou os gorros de pele de urso russos.
Checkpoint Charlie
O
conjunto, no entanto, é algo que impressiona precisamente pela construção e pela
certeza que transmite de que nada, naquela cidade, pretende comunicar qualquer
ilusão de permanência ou mesmo autenticidade. Berlim é um jogo pós-moderno, um
laboratório de identidades fragmentadas, em que o passado e o presente se
misturam num sonho inarticulado de futuro. Por vezes, Berlim recusa-se a
esperar por esse futuro, como no Sony Center/Potsdammer Platz. Aí edifícios
futuristas criam uma ambiência cyberpunk, sem conseguirem fazer esquecer por
completo um dos locais mais emblemáticos da cidade novecentista, posteriormente
rasgado pela fronteira entre as duas Europas e agora ressuscitado como símbolo
de uma globalização hipertecnológica.
Sony Center/Potsdammer Platz
Outras vezes simplesmente anula o tempo e
o próprio espaço, como no memorial do holocausto, perto do Reichstag (ele
próprio um interessante híbrido de passado e presente). Ambos estiveram, aquando da sua construção, envoltos em polémica, como convém a uma cidade onde se joga muito da futura identidade europeia. Ambos são, no entanto, monumentos muito bem conseguidos. No caso do parlamento, a cúpula corporiza os valores de transparência indispensáveis à democracia; percorrer o memorial dá ao visitante, à medida que o chão afunda, a sensação de caminhar no nada, num lugar sem referências, sem marcas humanas, sem esperança. Sem fantasmas, sequer.
Holocaust-Mahnmal (Memorial do Holocausto) com o Reichstag ao fundo
No
entretanto, em Berlim, os fantasmas existem, notavelmente discretos, emergindo
ocasionalmente por entre o som dos passos do visitante ecoando na calçada. E,
mesmo não sabendo alemão, é fácil reconhecer o apelido judaico e as palavras deportiert e Auschwitz.
Brückenstrasse
Bibliografia: TILL, K. E. (2005). The New Berlin: Memory, Politics, Place. Minneapolis: University of Minnesota Press
Por vezes o cinema
apenas entretém, por vezes nem isso, por vezes faz-nos pensar, outras vezes, no
entanto, inspira-nos e comove-nos, faz vibrar em nós cordas que o quotidiano
apressado tenta emudecer. La meglio
giuventù é um destes filmes: um longo intervalo no quotidiano apressado,
forçado pelos seus 366 minutos de duração, tão densos de emoção e temas fortes
que passam num ápice. Tinha-o visto há não muito tempo, mas uma viagem até
Itália entretanto feita suscitou-me a vontade de o rever.
O filme é tributário da longa tradição neorrealista
italiana, dando continuidade aos dramas familiares habituais no cinema
transalpino (e suas ramificações, porventura mais conhecidas, como O Padrinho de Copolla) e eloquentemente demostrando,
a esse respeito, a vitalidade da tradição (de facto, o único momento em que se
introduz um pouco de realismo mágico à maneira sul-americana acaba por ser
comparativamente embaraçoso: a sério, deixem isso para o Almodóvar…). De resto,
o filme é um excelente exemplo da sensibilidade humana que aprendemos a
apreciar (e a esperar) no cinema italiano. Folhetinesco no melhor sentido da
palavra, La meglio giuventù é
essencialmente um filme sobre a Itália, feito sem grandes preocupações de
inovação formal e colocando toda a ênfase naquilo que é realmente fundamental
em cinema: a arte de bem contar boas histórias. O registo vagamente épico, com
ecos homéricos entrecruzados com diversas referências culturais italianas,
consegue produzir uma síntese credível entre a história contemporânea de Itália
e o percurso das personagens. Das cheias de Florença à luta contra a máfia, das
manifestações estudantis à integração europeia, do terrorismo vermelho aos
desapontamentos da globalização, o filme é um belo e absorvente fresco de uma
juventude que efetivamente mudou o mundo, mudando-se a si própria no caminho. De
o rever sobrou-me, no entanto, a impressão reforçada de que o cinema não é
História, mas sim Arte (até porque há histórias na História que só a Arte pode
contar). E, com efeito, o filme transcende largamente a narração e revisitação
históricas para almejar a algo muito superior, que é aquela indefinível,
inefável, inenarrável chama que anima a vida a que, por falta de uma palavra
melhor, chamamos sonho.
Esta crítica poderia, portanto, começar no fim do
filme, no Cabo Norte, no sítio onde o mundo, o tempo e os homens reencontram a
sua ilusória circularidade e em que o sol da meia-noite, levemente afagando a
fria superfície do oceano para de novo se erguer traduz não um verdadeiro fim:
apenas um reinício, uma simbólica continuidade, o ténue fio tecido de memória e
esquecimento, preservação e destruição, que liga as gerações entre si.