sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

ne change rien, Pedro Costa (2009)



         Confesso que quando fui ao cinema ver este filme esperava realmente um filme, e não um concerto... Percebi, de resto, pelos primeiros minutos, que ia mesmo levar com 100 minutos de cinema experimental (não gosto da designação “de autor”, dá a impressão de que os blockbusters de Hollywood se fazem sozinhos...). Já aconchegado na cadeira acabei por me resignar a ter de pensar...
        Ne change rien é um filme sobre a música e a sua intercepção com a imagem. Ao mesmo tempo, é um filme sobre o esforço, o trabalho e a extenuante repetição que a busca da perfeição exige. O filme é todo ele uma longa construção de luz e sombras, plasmado num precioso preto e branco a que a música, melancólica, terna e vagamente desesperada, vai dando forma. Os rostos semi-ocultos, absortos na lenta e extenuante construção de um pequeno instante perfeito parecem, a espaços, entreabrir o véu de uma metáfora maior. O filme é, enfim, uma reflexão sobre a própria arte e a única verdadeira forma de a fazer, ou seja através de uma abnegação de Sísifo...

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